segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Mulheres de coração, mas com o canudo na mão!

Lavar roupa todo dia, que agonia...
Uma publicação oficial do Vaticano noticiou, durante “generosa” homenagem ao Dia Internacional da Mulher realizada ano passado, que a máquina de lavar roupas é o verdadeiro símbolo da emancipação feminina no século XX.
Óbvio que a declaração provocou a fúria de mulheres em todo o mundo, Afinal, depois de se matarem para conquistar o direito ao voto, à inserção no mercado de trabalho, às prerrogativas civis no casamento e, ainda mais nobre, o direito de criarem uma nova espécie feminina na escala evolutiva – a das mulheres frutas, transgenicamente modificadas em laboratório pela generosa manipulação de todas as variáveis do silicone – ouvir uma declaração dessas chega a ser um sacrilégio.
Exercendo meu pensamento crítico, naturalmente tendencioso e egoísta, confesso que me inclinei a concordar com o jornal. Bastou recordar os ensolarados e convidativos domingos que passei me divertindo com uma pilha de roupas e uma barra de sabão pavão, tudo após uma exaustiva semana de trabalho.
Mas mesmo sendo uma feminista meio fajuta, não posso me eximir das responsabilidades perante minhas companheiras. Afinal, concordar com isso seria destruir qualquer sonho de liberdade daquelas que ainda não fizeram seu crediário na Insinuante dentro das incríveis condições oferecidas pelos financiamentos brasileiros, do tipo, compre 1 e pague 3.
Portanto, dentro da minha modesta experiência nesses 30 anos de vida, tenho o direito de ensaiar alguns pitacos. E acatando a sugestão de um amigo, que embora homem e com fator agravante de ser militar, mas que tem lá sua razão, resolvi fazer algumas reflexões sobre a contribuição do ensino universitário nesse processo emancipatório.
Como os leitores bem sabem, estou curtindo a gloriosa experiência de voltar a estudar. Isso depois de vagar por 14 anos num limbo intelectual que, se bem aproveitados, teriam me rendido até diploma de PHD. Mas tudo bem, mesmo tardio é gratificante, embora tenha de enfrentar diariamente a leitura da freqüência que delata o apêndice de CHICA junto ao meu nome, idéia de um pai ex-seminarista que calculou que homenagear um santo lhe daria uma filha mais pudica e recatada (foi mal, pai). E quanto ao temor de sentir-me uma vovó em meio a juventude transviada, Deus me presenteou com um colega de classe bem mais velho, cujos cabelos grisalhos distraem a turma da minha condição etária (foi mal, poeta).
Mesmo pelo pouco tempo, já pude sentir a expansão do meu outrora limitado universo e a ansiedade faz sonhar com especializações, doutorados e afins, mal tendo começado o 1º semestre.

Diante de tamanha empolgação, bateu aquela depressão típica de quem carrega a culpa como item de série. Fiquei me recriminando por ter adiado tanto tempo esse sonho, pois agora tenho que administrar dilemas que poderiam ter sido evitados, como o impasse entre a maternidade e a carreira que se desenha.
Muitas mulheres justificam que não realizaram suas metas pela recusa de seus companheiros, ou pelo bem estar familiar. Mas pelo menos da minha parte, garanto que esse altruísmo tem sua faceta egoísta. O autoboicote é motivado pela sensação de achar que não merece, mas também por acreditar que outros setores da vida não sobreviveriam sem você.
Conheço mulheres amarguradas que depois de suprimir seus desejos em nome de um casamento, foram sumariamente abandonadas pelos companheiros que não tiveram qualquer dúvida em desfazer a união, quando esta não mais lhe convia. E as cunhas, revoltadas, mais uma vez param suas vidas dedicando tempo e energia na tarefa de perseguir e acusar o sujeito pelo seu fracasso.
Querida, sinto informar-lhe, mas o culpado está em outro lugar. Dá uma passadinha no banheiro e olha o espelho sobre a pia que tá lá o seu algoz. Pode estribuchar, mas seu marido não deixou uma arma apontada para sua cabeça durante todos esses anos. Por mais machista e dominador que fosse, no final, a decisão foi sua.
A evolução intelectual e cultural da mulher é fundamental para sua emancipação, pois é nessa base que se constrói uma nova leitura sobre você e sobre o mundo. A convivência com outros tipos de pessoas, o confronto e a harmonia de pensamento, a aquisição de novas idéias, tudo isso num nível bem além de ficar sabendo dos mexericos envolvendo a vizinha ou debater sobre o final da novela.
Claro que o Brasil ainda é pobre em oportunidades de acesso à educação, e as mulheres sofrem mais com isso. Mas se existe a mínima possibilidade de tentar, mesmo que com certos sacrifícios, então colega, faça! Porque além do benefício próprio você amplia o diâmetro de um círculo que aos poucos vai incorporando mais mulheres de sua própria convivência, o que numa análise holística confirma sua participação ativa no sucesso global do movimento feminino.
Imitamos comportamentos humanos principalmente dentro do seio familiar, portanto se quer mesmo deixar um bom legado, invista no amadurecimento intelectual que o seu exemplo será, de longe, a melhor herança. Sem esquecer, é claro, da satisfação pessoal. Esse deleite é todo seu e ninguém tasca!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Estado Civil: Divorciada da Moralidade

Retrato da Monalisa pós-divórcio!

O novo Código Civil brasileiro dispõe que homem e mulher assumem mutuamente a condição de companheiros responsáveis pelos encargos da família, extirpando o grotesco tratamento jurídico diferenciado que era estabelecido no código anterior, que colocava a mulher em condição submissa, uma vez que sua incumbência restringia-se a velar o lar.

O princípio igualitário na união civil foi conquistado à duras penas, com a mudança do conceito de família. Milhares de lares são chefiados por mulheres, situação que ocorre, em sua grande maioria, pelo abandono e descaso de companheiros que acharam mais conveniente concluir que a emancipação feminina os isentava de seus deveres perante os filhos que prazerosamente geraram.
A Lei do Divórcio também foi outra conquista, diminuindo consideravelmente a dor e transtornos gerados por uma odisséia burocrática que prejudicava ambas as partes.
Mas esse tratamento justo conferido pela lei não se refletiu, como deveria, no tratamento conferido pela sociedade perante a mulher que opta pela separação.
Na prática, o que ocorre, especialmente se esta mulher for minimamente jovem e atraente, tiver certa independência financeira e adotar uma postura de tranqüilidade diante dessa etapa tão comum na vida de milhões de casais, é que ela seja veladamente hostilizada. E por mulheres.
De repente, aquela que até ontem esteve amparada pelo estado civil que por si só protegia as demais mulheres de uma ameaça potencial, torna-se uma figura monstruosa cujo conceito de caráter cai drasticamente pela falta do acessório “marido”.
A guerra fria se instala entre amigas, vizinhas, conhecidas, colegas de trabalho e até parentes, que magicamente passam a demonstrar um interesse redobrado pela vida particular e social da nova solteira do pedaço, que também será alvo de comentários maldosos e interpretações deturpadas de toda e qualquer atitude que venha a tomar a partir daí. Vestiu uma saia curta? Tá atrás de homem! Penteou o cabelo pro outro lado? Tá de olho no meu marido! Amanheceu chovendo? É uma devassa!
E quanto aos parceiros das mexeriqueiras, viram pobres caças sem a menor chance de defesa, sujeitos a sedução venenosa da fulana. Como se os homens fossem criaturas totalmente desprovidas de inteligência e vontade própria (pensando bem, até que faz sentido). São apenas machos, coitados. Seres ingênuos sujeitos aos instintos animais que regem todas as suas escolhas.
É verdade que no Talibã a pena para as divorciadas é morte. Mas não se admite que, em pleno século XXI, num país aparentemente caloroso e despojado de certos conceitos arcaicos, que a idéia de que o caráter de uma mulher é algo diretamente relacionado ao seu estado civil ainda seja amplamente considerada.
Reclamamos do machismo que tanto nos prejudica, mas o propagamos em pequenas atitudes, como esta. E não pensamos que existe o risco considerável de sermos as próximas vítimas dessa injustiça, ou quem sabe, nossas filhas e irmãs.
Casamentos começam e acabam todos os dias. E sabemos que mesmo não sendo o fim do mundo, ainda dói. Portanto poderíamos poupar as mulheres de um desgosto desnecessário provocado pela rejeição e antipatia estúpida cuja causa não tem nada a ver com o caráter da separada, mas sim, com nossa própria insegurança.
Tenham uma ótima semana!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Guarda a faca, cunhã!

Não pretendia adentrar num terreno tão delicado quanto o posicionamento feminista histórico, até porque tenho amor à vida e sei que uma feminista ofendida é pior do que vizinho briguento: não te deixa em paz até que você concorde com ele ou então venda a sua casa pela metade do preço e se mude pra bem longe. Para o mercado imobiliário, o fator “vizinho abusado” é equivalente à área de risco, reduzindo consideravelmente o valor do imóvel.

Mas deixando de lado minhas divagações que nada tem a ver com o peixe, decidi expor minhas modestas considerações acerca do tema, após tomar parte num interessante debate conduzido ontem na faculdade. Até porque, depois de posar de metida e marrenta no blog não posso simplesmente pedir arrego agora. Vou enfrentar a revanche de peito aberto. Então, vamos lá!

Em primeiro lugar, respeito de todo coração as feministas originais. O radicalismo tão criticado por muitos, a meu ver, foi essencial para promover o “boom” do movimento. Afinal, não se faz revolução com água de rosas e meios termos. Tinha mesmo que botar pra quebrar, senão ninguém levaria a sério!

Porém, as “Feministas New Generation” tem o direito de readaptar os conceitos dentro daquilo que acreditam e preferem. A capacidade crítica do ser humano é uma das mais sagradas liberdades e merece ser respeitada. E toda ideologia passa naturalmente por estágios de infância e adolescência, até atingir sua maturidade. Se uma mulher apresenta um comportamento aparentemente contraditório, vale lembrar que no fundo, todo filho de Deus é assim. Mudamos a nós mesmos e aos outros todos os dias, num processo de intercâmbio de conhecimentos e experiências que ocorre de uma forma tão espontânea que muitas vezes sequer nos damos conta.

Concordo plenamente que toda mulher tem um certo dever de combater, mesmo que o mínimo possível, o germe do machismo e da discriminação, até porque estará atuando em causa própria. E claro que esse combate se faz com atitudes, não com palavras. Mas daí de ir ao extremo, agindo de forma intolerante e radical, pra mim só vai servir para gerar ainda mais hostilidade e aumentar consideravelmente o nível de preconceito social. Em outras palavras, quando a criatura dobra a esquina só se ouve o comentário: “lá vem a doida!”.

Portanto, garota, relaxa! Como diriam meus pares acadêmicos, a mulher não pode perder sua essência. Aliás, ser humano nenhum. Se você tem uma alma de Rambo, tudo bem, pode cair matando. Mas se de vez em quando se pega lavando a cuequinha do marido ou rindo de uma piadinha machista e percebe que isso não altera em nada suas crenças, então deixa pra lá. Ninguém precisa provar nada pra ninguém a não ser pra si mesmo. Além do que, não se é fiel à causa alguma se primeiro não for fiel consigo mesmo.

Beijão!

P.S.: Aos machistas de plantão, asseguro: esse post é só uma trégua. Não se acostumem mal, não. A luta continua!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Só podia ser mulher!

Que é isso, seu moço? Eu só errei a vaga por alguns centímetros!

Remexendo meu baú de memórias, recordei um fato recente envolvendo a polêmica em torno das mulheres ao volante.

Estava eu, linda e serelepe, indo ao supermercado comprar alguns inocentes produtos dietéticos da Lucília Diniz que dão um status mais descolado à minha eterna dieta. Como todo empreendimento comercial que se preze, as vagas para estacionamento são consideravelmente apertadas, daquelas que te obrigam a sair do carro pelo porta malas. E eu, como qualquer motorista recém habilitado, encontrei uma certa dificuldade para me encaixar nesse labirinto de Lego e na primeira tentativa, subi o pneu traseiro na pontinha da calçada. Tudo bem, nada de pânico! Sinalizei a saída, dei a ré e reposicionei o veículo numa precisão quase cirúrgica.
No entanto, não fui poupada do comentário do flanelinha, que disse maliciosamente para o companheiro: “Só podia ser mulher!”.

Meus instintos terroristas imediatamente afloraram, motivando-me a amarrar a faixa na cabeça, pintar a cara, engatilhar minha bazuca lingual e metralhar os dois com um arsenal de impropérios (o outro não disse nada, mas foi culpado por não me defender). Mas contei até um milhão e duzentos e resolvi deixar pra lá, até porque séculos de machismo não se curam com cinco minutos de sermão.

Mas sabe como é mulher. Na hora, me senti o próprio Gandhi, elegendo a paz como único caminho e perdoando meus inimigos com o silêncio sábio do perdão. Inclusive, fui magnânima a ponto de dar 5 centavos de gorjeta na saída. Mas foi só chegar em casa pra me coçar inteira de vontade de voltar e passar com o carro por cima dele.

E para não deixar barato, vou destinar a esse flanelinha “filho de chocadeira” (presumo que por tamanho desrespeito à mulher, o sujeito não tenha nascido de um ventre feminino) e para todos aqueles que compartilham de sua opinião, minha versão sobre esse típico comentário masculino:

Sabe quem inaugurou a função de ombudsman do Jornal “O Povo” e é uma das mais competentes e respeitadas jornalistas, nacionalmente reconhecida por seus méritos e pela história de superação e dedicação à comunicação social? A brilhante Adísia Sá. Sim, só podia ser mulher!

Conhece quem dirige os trabalhos da Associação Peter Pan, entidade que desenvolve um maravilhoso trabalho de amparo e tratamento para crianças vítimas de Câncer, reduzindo drasticamente o nível de letalidade e mudando a história do câncer infantil no Ceará? A honrosa Olga Maia. Só podia ser mulher!

Ouviu falar de quem transformou a própria dor num importante meio de combate à violência familiar e doméstica contra a mulher, e em cima de uma cadeira de rodas tornou-se uma premiada atleta paraolímpica, servindo de exemplo e incentivo para milhões de deficientes físicos que existem no Brasil? A lutadora Maria da Penha. Só podia ser mulher!

Tem idéia do talento inegável de uma escritora de destaque que foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras e a receber o Prêmio Camões, equivalente a um Nobel na Literatura, e considerada por muitos a maior autora deste país, que levou ao conhecimento do mundo os sofrimentos do valente povo sertanejo? A competente Rachel de Queiroz. Só podia ser mulher!

E finalmente, quem escreve este blog, cuja função, embora velada sob as nuances da ironia, tem como objetivo despertar a consciência da mulher sobre seu papel não diria apenas de igualdade, mas de superioridade em muitos aspectos, contribuindo para que cada uma reconheça sua força e busque com coragem e sem culpa o merecido espaço na sociedade? Eu, Luciana Benevides. Claaaaaaaaro que só podia ser... MULHER!

Pronto, agora você tá perdoado, viu!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Teimosa? Nem tanto quanto gostaria!

Plim! Tive uma idéia!

Dizem que Thomas Edison, antes de acertar seu invento mais célebre, que ironicamente você faz questão de apagar para esconder as estrias na hora de dar aqueles amassos, tentou mais de 1.000 vezes. Aliás, é dele a frase: "O gênio consiste em um porcento de inspiração e noventa e nove porcento de transpiração".

Fico imaginando o quanto esse homem foi taxado de louco, obcecado, doente e ... teimoso! Isso, obviamente, até alcançar seu objetivo e levar uns tapinhas nas costas, ganhar milhares de melhores amigos e ser chamado de gênio.

Nem todo teimoso prova o doce sabor do sucesso, porém, não podemos esquecer que eles foram os precussores de idéias que à sua época não vingaram, muitas vezes por falta de tecnologia capaz de viabilizar o projeto, mas que semearam o conceito que germinou posteriormente, quando encontrou as condições propícias.

Quando criança, levei muito nome de teimosa. E hoje, pasmen, a história se repete. Porém, comparando à Lulu melequenta e assanhada que discutia com os professores em sala de aula já no jardim de infância, e que sustentava suas idéias, embora imaturas, com veemência e coragem, sem medo de ser feliz com uma bela suspensão, fico meio deprê!

A feminista de hoje, no auge dos seus 30 anos, aparentemente mais experiente e segura, titubeia em defender seus princípios por medo de não ter como retocar a escova inteligente. Meio que desaprendeu a enfrentar as possibilidades de encarar novos desafios ao passo que aprendeu a engolir sapos mutantes da terra dos gigantes porque teme perder o que acha que conquistou. Portanto, inquisidores de plantão, sua acusação é improcedente. Eu não sou teimosa, sou medrosa!

Essa constatação me fez evitar o espelho durante dias e acrescentou famigeradas calorias vazias ao meu corpinho, maculando a sagrada dieta.

No entanto, como um arauto de esperança em meio ao desespero e grudada ao vestido velho usado durante todo o fim de semana (e que me seguiu para o trabalho na segunda-feira), eis que me reergui dentre os sacos vazios de "Rufles pra Galera" disposta a dar uma guinada na vida.

Sim, preciso ser mais teimosa!

Preciso insistir nos meus sonhos, repetir o que acredito, o que quero, o que tenho direito de buscar sem ser taxada de orgulhosa ou arrogante só porque me posiciono. Humildade não pode ser confundida com inércia diante do confronto ou fraqueza diante dos obstáculos. Desistir não é humilde, é idiota! Porque você joga fora toda energia física e mental que no auge da empolgação reuniu e vai incorporando o estúpido hábito de parar no meio do caminho, julgando-se muito inteligente por ser "flexível" a ponto de reorganizar suas metas que, uma vez reorganizadas, serão novamente deixadas de lado durante a próxima TPM.

Portanto, fascistas, tremei! Voltarei a ser a garota birrenta que não largava o osso nem sob a ameaça de umas belas palmadas. Já que deram corda, agora aguentem o monstro que criaram, porque foi a sua impaciência que ressuscitou das cinzas a minha persistência!

Até a próxima moçada!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Não duvide de suas próprias incertezas

Oh! Dúvida cruel!
Gente, hoje o tema é sério porque a situação assim o exige. Portanto, não esperem o costumeiro estilo cômico (leia-se: humor mórbido) adotado. A pancada agora é federal, mas não menos interessante!

Numa sociedade tão dotada de preconceitos e profundamente arraigada ao germe podre do machismo, é comum nós mulheres que confrontamos essa realidade, sermos vítimas de situação de extrema humilhação e violência psicológica.

Muitas vezes o agressor, conhecedor das contrariedades que carregamos como fêmeas que estamos TENTANDO combater os males do sexismo exarcebado, toca num ponto que sabe que vai nos ferir profundamente e rejubila-se ante a visão de nossa fraqueza e dúvida. Até porque, nessas horas, os genes femininos falam mais alto e é comum adotarmos a mais típica e equilibrada das reações: chorar!

Bom, passado aquele momento de humilhação, enxugue o rosto, retoque a maquiagem e permita-se viver o luto pela morte de mais um voto de confiança que depositou na humanidade. Você viverá dias, ou talvez semanas de depressão que acarretarão em dúvidas e incertezas sobre quem é e quem deveria ser, para evitar esse sofrimento. Como se encaixar para corresponder as expectativas dos outros e assim, sob a ótica alheia, ser digna do tratamento adequado.

A inquietação do ser humano é algo inerente à sua condição. E em situações extremas, é normal essa inquietação atingir níveis estratosféricos. Mas procure erguer a cabeça e lembrar que, mais do que se preocupar com que os outros pensam sobre você, o importante é que continue a saber quem é. Autoconhecimento e autoaceitação. Convicções que, se trabalhadas diariamente, irão conferir a força necessária para sair, não diria incólume, mas pelo menos não devastada, diante de provações desse tipo.

Há uma passagem na Bíblia que diz que deves procurar a Deus antes da tempestade. Adaptando à esse caso em específico, que trabalhe diariamente sua autoestima e autoconfiança para conseguir, como uma torre bem alicerçada, manter-se de pé diante da artilharia pesada de um canhão que atira sem aviso prévio. Você não é a única torre nessa selva de pedra, mas é especial no universo de sua individualidade, imperfeito e caótico, mas ao mesmo tempo maravilhoso e coerente.

Portanto, passada a lamentação, tome um belo porre e ligue o FODA-SE (desculpem, crianças) para o pensamento arcaico de quem ainda não conhece o quão fascinante é essa obra-prima chamada Mulher, desenhada pelos traços de um artista inquieto e paradoxal que produziu a imagem de fortaleza e fragilidade que personifica essa indecisão que nos impulsiona rumo à busca pela própria felicidade. Como diriam grandes filósofos, duvidar não é o fim, é apenas o começo do processo de aprendizado!

Beijão!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sinceridade pra que?

O House é excelente médico, mas se falasse menos, ainda estaria casado!

Queridos leitores, boa tarde

Passei o final de semana inteiro dodói. Garganta inflamada, febre,dor no corpo...chato pra caramba.
Aproveitei a morgação para assistir dezenas de episódios do seriado House,que eu amo de paixão. A vantagem é que, além de já estar quase formada em medicina (mais duas temporadas e recebo o diploma), ajudou a passar o tempo.

Adoro aquele humor negro, cinismo e sarcasmo brilhante do personagem principal. Não tem como não se divertir diante de tanta falta de tato e crueldade (até porque, o alvo do senso de humor letal do médico não é você). E dentre suas pérolas, o Dr.House tem uma frase típica praticamente repetida em todos os episódios, mesmo que de forma subtendida: “Todo mundo mente!”

O interessante é que ELE não costuma mentir e destila a verdade dura e implacável sem dó nem piedade sobre aqueles que cruzam seu caminho. Justamente por conta de tamanha sinceridade, o médico é um divorciado solitário que possui apenas um amigo, Dr. James Wilson, que segundo li em spoillers, não agüentará o cargo por muito tempo.

O fato me leva a questionar se aquilo que nós, mulheres, exigimos tanto, seria o que realmente queremos: sinceridade. Sei lá, a gente é especialista em contradições (o que costuma deixar os homens loucos). Será que eu quero alguém me falando a verdade sempre? Vejamos alguns estudos de caso e façamos um teste rápido.

Nas respostas, o item “a” corresponde a “nível de sinceridade da mãe”, o item “b” é “índice de sinceridade do melhor amigo gay” e, finalmente, o “c” é equivalente a “nível de sinceridade House”. Qual seria a resposta que você preferia ouvir em cada um dos casos?

Pergunta 1 – Você compra um minúsculo biquíni de lacinho, no entanto, não está assim “tão” em forma. Na hora de vesti-lo, encolhe a barriga e pergunta pro seu gato enquanto prende a respiração: “Amor, você acha que ficou bom?”

a) Claro, meu bem, você está linda como sempre!
b) Querida, eu falei pra você não comer todo aquele chocolate.
c) Pelo amor de Deus, sua barriga parece uma gelatina. Joga esse negócio fora e se matricula numa academia URGENTE!

Pergunta 2 – Sua mãe deu de presente de casamento pra sua irmã caçula uma viagem de Lua-de-Mel para Paris, enquanto no seu matrimônio, havia dado um mísero conjunto de copos vagabundos. Em casa, você desabafa com seu Love e a chama de todos os nomes impossíveis de serem publicados em relação à uma mãe. O que ele deveria dizer?

a) Absolutamente nada. Apenas preparar uma banana split e pentear seu cabelo. Ele não pode defender, nem ao menos dizer uma vírgula contra sua mãe, só você tem esse direito.
b) Seja razoável, amor, ela é sua mãe, vai ver que na época a situação financeira dela estava ruim.
c) Eu sempre soube que aquela velha gorda não gostava de mim. É uma tremenda muquirana mesmo, aquela bruxa.

Pergunta 3 – Seu gato saiu pra uma noitada com o Clube do Bolinha, com seu aval, é lógico. Na volta, você maliciosamente pergunta se tinha muitas garotas dando mole pra ele. Qual seria a resposta que evitaria que ele dormisse no sofá?

a) Que é isso, minha princesa. Nem reparei em garota nenhuma. Na verdade passei a noite entediado contando os minutos pra voltar para os seus braços. Nunca mais me convença a sair com aqueles amigos chatos de novo!
b) Ah, até notei uma ou outra moça interessante, mas não tanto quanto você.
c) Além da Paulinha e da Debby do escritório, que decidiram ir conosco de última hora, tinha aquela ruiva gostosa que ficou enroscando o pé na minha calça por baixo da mesa e a loira peituda que beijei na porta do banheiro. Ou teria sido no balcão do bar?

Bom, aqui termina o teste. Repasse pro seu gato e descubra, em uma só tentativa, duas coisas: quanto você realmente deseja de sinceridade em um homem e, segundo, se ele ainda te quer. Sim, porque caso o guri responda “c” a pelo menos uma das perguntas, ou ele é o Richard Selvagem ao Extremo e não tem um pingo de medo de morrer ou achou a oportunidade ideal pra te dar um tremendo fora. Portanto garota, nada de dar uma de Rei Midas e sair maldizendo aquilo que desejou. Pensa bem no que vai pedir!
Boa sorte no teste e nos vemos na próxima.

P.S.: Este blog não se responsabiliza por eventuais divórcios que possam ocorrer por conta desta publicação. Te vira!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Cortem-lhe as cabeças!

Para quem um dia teve o mundo nas mãos, terminou sem a cabeça!
Bom dia, meu povo!

Depois de alguns dias afastada, eis meu retorno triunfal. Estive ocupada, mas reservei um ínfimo espaço dentro da tumultuada zona de turbulência para dar um alô básico aos que anseiam por minhas sábias palavras. Vocês sabem o quanto sou filantropa, não é mesmo?

Estou terminando de reler o livro MARIA ANTONIETA, de Antonia Fraser.

A releitura fortaleceu duas convicções. A primeira é que, o tempo passa, o tempo voa, e na política tudo continua igual. Monarquia, Imperialismo, Presidencialismo e, mais recentemente, o Tiririquismo, não interessa. Mudam-se os cenários e protagonistas, mas a novela é a mesma. A segunda, e mais cruel de engolir, é que mulher nasceu mesmo foi para sofrer.

Desculpe, cunhãs. Sei que estou sendo trágica e cruel. Mas por mais que eu tente enxergar as coisas sobre outro prisma, não adianta. A realidade nua e crua é pior ainda vista com a lente de aumento dos fatos.

A protagonista do livro caiu de pára-quedas na França, mal saída da infância, para consumar um casamento engendrado pela mãe, uma manipuladora que pregava para as filhas uma radical submissão aos maridos enquanto ela mesma dava pitacos, a torto e a direito, na condução dos assuntos da Áustria, governada pelo seu marido.

Eis que, aos tenros 13 anos, Antonieta se acha em terras estrangeiras diante de um noivo nada atraente e pouco viril. Indeciso, despreparado e ainda por cima, um marido que não cumpria seus deveres conjugais, enquanto ela era pressionada por meio mundo a dar-lhe um filho macho (se fosse hoje, era só apelar para produção independente). Embora não fosse propriamente ruim, o rei, em sua total desqualificação para conduzir um país como a França numa época de revoluções e mudanças radicais, levou a uma crise financeira (já iniciada em reinados anteriores) sem precedentes na história da nação, culminando na Revolução Francesa.

Mas nessa história toda, foi a Antonieta quem pagou o pato. Acusada de promiscuidade, deslealdade e todo tipo de insinuação infundada, a Rainha da França virou o bode expiatório de uma crise anunciada. A célebre frase atribuída a ela, diante do suposto fato de que, quando questionada sobre a situação do povo miserável que não tinha pão, teria respondido: “pois que comam brioches”, na verdade era uma frase apócrifa atribuída a outras rainhas que reinaram não apenas a França, bem como outros países muito antes dela nascer. Mas que reflete a necessidade social de jogar a culpa na primeira cunhã que aparece pela frente.

E lá se foram os 2 para a guilhotina, tendo a reputação de Luís XVI, seu marido, sido restabelecida muito antes da restauração da monarquia. No entanto, a dela, até hoje envolve lendas de atitudes cruéis, desdenhosas e malvadas, quando na verdade os contemporâneos mais próximos eram unânimes em ressaltar sua extrema bondade, tolerância e impulsos caridosos.

Porém, sua história tão difícil e comovente é, de certa forma, um alento. A gente continua pagando o pato por muita coisa e sendo alvo de calúnias e preconceitos, mas pelo menos minha linda cabecinha ainda está sobre o meu belo corpinho. Sim, porque se fosse eu na época acho que não teria durado nem metade do que a Antonieta agüentou.

A maior parte das hostilidades do dia-a-dia tende a ser psicológica e moral. Sem, no entanto, esquecermos as terríveis estatísticas de violência contra a mulher, que ainda são alarmantes. Mas se hoje conseguimos obter um pouco mais de liberdade e respeito, não tenham dúvida de que foi por causa do sacrifício de muitas mulheres célebres e também anônimas.

Portanto, cunhãs, sejamos otimistas. Se o barco continuar a tocar nesse ritmo, quem sabe, no ano de 3015 desfrutaremos dos ideais de liberdade e igualdade que são concedidas aos nossos pares do sexo masculino. Ainda bem que acredito em reencarnação!

Petit Beijos para vocês!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Que venha 2011!

Boa  noite, galera!

01 de Janeiro de 2011, que data mais emblemática e especial!

Dormi o dia inteiro, nada de praia ou comilanças. Passei o dia no chá verde para compensar os excessos dos últimos dias de 2010. Minha pancinha está bem saliente e em questão de dias, perdi o resultado adquirido por semanas de sacrifício. Mas tudo bem, nada de deixar a dieta pra segunda-feira. Comecei hoje, firme e forte.

Já vi Dona Dilma e Seu Lula trocando faixinhas, já dei alô pra galera mais próxima, atualizei meu orkut, nada demais.

Minha virada de ano foi meia-boca, não fiquei acordada até de manhã como nos anos anteriores. Mas foi muto bom mesmo assim. Assisti a virada com amigos e dei uma passadinha na mamys pra bater o ponto.

Por mais que pareça um clichê, o importante mesmo é passar com saúde. E esse ano compreendi isso bem, pois acompanhei a situação de alguns amigos que estão às voltas com um problema na família. Fica aquela angústia, preocupação no ar. Mas é isso mesmo, só quem nos guarda é Deus e à ele devemos recorrer todos dias para pedir e também agradecer.

No mais, sem grandes expectativas para os próximos dias. Morgação e muitos filmes para passar o tempo. E segurar a larica por doces, senão eu passo dos 60 Kg... de novo. E efeito sanfona é diretamente proporcional à flacidez e estrias. Que horror!

Para dividir com os amigos a experiência "reveillônica", a seguir, posto alguns cliques dos últimos minutos de 2010 e primeiros de 2011. E só para reforçar, Feliz Ano Novo pra todos!

Eu e minha querida amiga Ana Carla, vulgo Carlota, que me acolheu em sua residência para a passagem de ano!

Juvenal Menezes, outrora patrão, mas para sempre, amigo!

Minha felicidade quando chegava uma garrafa!

Agora sim, tá massa!

Tentei fazer um book romântico para esses dois, mas a palhaçada era demais! Povo terrível!

Indigente largada na casa alheia! O que seria de mim se não fossem os amigos!